Se você chegou até aqui, provavelmente já se pegou pensando sobre os rumos da sua vida, sobre os padrões que insistem em se repetir ou sobre aquele incômodo silencioso que surge quando tudo parece estar bem por fora. É comum ouvirmos que a terapia é um caminho de autoconhecimento, mas, na prática clínica, percebo que essa formulação muitas vezes é insuficiente.
Não porque não nos conheçamos, mas justamente pelo oposto: nós já nos conhecemos demais. Sabemos a nossa história de cor, repetimos os mesmos enredos nos relacionamentos, reconhecemos os nossos medos, os nossos traços e até os nossos impasses mais profundos. Tudo isso já está dado e, sobretudo, já está inscrito no inconsciente.
O saber que já habita em nós
A experiência psicoterápica, da forma como acredito e conduzo, não se orienta pela ideia de acrescentar informações sobre si mesmo, como se algo faltasse no plano do conhecimento puramente intelectual. A história já foi vivida e as marcas já foram deixadas.
O que a terapia propõe é outra coisa: um processo de revelação.
Revelação aqui não tem um sentido místico ou mágico, mas sim o sentido analítico de fazer emergir aquilo que opera silenciosamente nos bastidores da mente, determinando as nossas escolhas, os nossos afetos, as nossas angústias e os nossos sintomas, sem que a gente se dê conta.
O inconsciente e o efeito de surpresa
Na clínica, o trabalho não se resume a “descobrir quem eu sou” a partir de uma lista de características. O objetivo é permitir que aquilo que estava recalcado, deslocado, esquecido ou encoberto pelo barulho do dia a dia possa, finalmente, vir à palavra.
O inconsciente não funciona como um arquivo empoeirado que acessamos de forma voluntária e racional. Ele se manifesta nas frestas:
- Nas falhas cotidianas;
- Nas repetições incômodas;
- Nos sintomas do corpo;
- Nos lapsos e nos sonhos.
Quando algo desse terreno desconhecido se torna consciente, o efeito não é o de uma explicação tranquila ou lógica. Quase sempre, o encontro com a própria verdade vem acompanhado de um efeito de surpresa, de um certo estranhamento. É o momento em que nos olhamos de fora e nos deparamos com uma verdadeira revelação sobre quem somos por trás das aparências.
Onde Isso estava, deve advir o Eu
Sigmund Freud formulou esse horizonte de maneira brilhante em 1933 ao escrever a célebre frase: “Wo Es war, soll Ich werden” — que podemos traduzir como “Onde Isso estava, deve advir o Eu”.
Essa premissa nos mostra que a psicoterapia não promete um domínio total, uma cura mágica ou uma transparência absoluta sobre si mesmo. Ela oferece algo muito mais delicado, ético e potente: a possibilidade de se implicar naquilo que, até então, nos governava sem o nosso saber. É a oportunidade de sustentar o encontro com o que sempre esteve ali, mas que ainda não havia encontrado um lugar seguro na fala para ser acolhido.
Você sente que está pronta ou pronto para olhar para além do que já está dado e iniciar este processo de revelação?
Sobre o atendimento
Sou Patrícia Rocha (CRP 07/6944), psicóloga clínica com consultório físico no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, e também realizo atendimentos na modalidade online. Se você deseja agendar uma primeira conversa para darmos início ao seu processo terapêutico, entre em contato diretamente pelo WhatsApp através do botão abaixo.